A análise do feminino à partir das estratégias de sedução presentes nas Heroides de Ovídio

Autores:

  • Letícia Schneider Ferreira
  • Sofia Laste Furlanetto

Ano: 2021

Nível de Ensino: Ensino Médio e Ensino Médio Técnico

Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas

Resumo:
A presente pesquisa procura analisar as estratégias de sedução utilizadas por Páris para conquistar Helena de Tróia nas cartas XVI e XVII da obra Heroides, que tem como autor o poeta romano Públio Ovídio Naso. O objetivo central do estudo se relaciona a observar as táticas utilizadas pelo príncipe troiano para convencer sua amada de fugir com ele e como se dá a recepção destas investidas amorosas por parte da rainha espartana, analisando as questões de gênero presentes nessas epístolas. Helena, personagem que muitas vezes é retratada como responsável por tragédias que - por causa de sua beleza indescritível - são compreensíveis, foi abordada de diversas maneiras por inúmeros autores nas mais diferentes formas literárias ao longo da história. Dito isso, o estudo se justifica na medida em que é fundamental compreender o tema do feminino atualmente e como ele é apresentado nos discursos de diferentes autores ao longo do tempo, cristalizando-se em determinadas narrativas que apresentam um ideário sobre o feminino. Assim, o projeto tem caráter interdisciplinar, contribuindo para a compreensão filosófica, sociológica e histórica dos fatos apresentados. A metodologia consiste na realização de uma considerável revisão bibliográfica sobre gênero e cultura e a análise do conteúdo da fonte primária. Como resultados, observamos que Ovídio é um autor que se interessa por temas relacionados ao amor, ao jogo de sedução e a persuasão, demonstrando isso ao longo das cartas. Páris conhece esse jogo muito bem, sabendo se declarar de forma intensa e sem poupar promessas à anfitriã. O príncipe aproveita oportunidades como um jantar para declarar seus interesses, fingindo-se embriagado, procura contatar as servas de Helena, além de arrolar argumentos para convencer a semideusa. Porém, Helena se apresenta pelas palavras de Ovídio como alguém muito racional (contrariando a ideia ligada ao feminino de impulsividade e ausente de discernimento), que joga o jogo de Páris com suas próprias regras. Dessa forma, notamos que a sedução entre os dois personagens não é natural. Assim, uma série de símbolos e práticas performativas permite que possamos compreender melhor o feminino e o olhar sobre o amor no início do Império Romano.

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